Diga não ao plágio! Nada de "copia e cola" ok?

*Diga não ao plágio! Nada de "copia e cola" ok?*

sábado, 30 de junho de 2012

CIF X CID


CID: Classificação Internacional de Deficiências
CIF: Classificação Internacional de Funcionalidades

E aí, qual a diferença?
A CIF tem um enfoque na funcionalidade do indivíduo, ou seja, o que seu corpo ainda pode realizar, e não em suas incapacidades (como na CID). A sigla exerce um papel positivo para a avaliação das condições de vida e na inclusão social. Como? Simples, ao invés de agrupar as pessoas de acordo com sua doença, passamos a agrupar de acordo com suas funções, fornecendo uma linguagem comum aos profissionais.

Na minha cabeça “a coisa” funciona da seguinte forma: ao chegar um pcte hemiplégico no consultório (médico, fisioterapeuta...), não importa se é uma sequela de AVE ou TCE (claro que importa, mas não nesse momento!), e sim as dificuldades que esse pcte apresenta (motora, linguística, visual, etc...). Assim, tiramos o foco “doença” e passamos a focar na funcionalidade, já que devemos sempre ter em mente que um indivíduo que teve AVE não é igual a todos os outros, ele tem suas peculiaridades que o difere dos outros pctes. Vale lembrar o clichê “cada pcte é um caso diferente” que nem sempre é seguido!

Entretanto, a CID continua sendo útil para quantificar os casos de determinadas doenças, ou seja, é importante para a estatística! Sem ela fica difícil saber quantos casos de dengue, por exemplo, foram encontrados no Rio de Janeiro em 2012.

Como funciona a CIF?
Vamos lá, aplicar a CIF não é uma tarefa simples. Obviamente não existe uma tabela como a CID, já que são considerados any fatores.

A pontuação ocorre da seguinte forma: para partes 1 e 2 classifica-se de 0 a 4, sendo 0 nenhuma deficiência e 4 deficiência completa, presente em mais de 95% do tempo que prejudica a vida diária. Pode-se pontuar também 8 (não especificado) e 9 (não aplicável). Para a parte 3 qualificam-se as barreiras de 0 (nenhuma barreira) a 4 (barreira completa) e facilitadores de 0 a 4 também.

Ela é dividida em:

Parte 1a: Deficiências das funções do corpo
Avaliam as funções mentais, sensoriais, dor, voz e fala, sistemas e mobilidade.

Parte 1b: Deficiências das estruturas do corpo
A pontuação é a mesma da primeira parte, dividindo em sistema nervoso, estruturas relacionadas a ouvido e olho, relacionadas à fala, relacionadas aos sistemas e movimento.

Parte 2: Limitações de atividades e restrições à participação
Essa parte tem 9 itens, como cuidado pessoal, AVD, relações interpessoais, aprendizagem e vida social.

Parte 3: Fatores ambientais
Auxílio ou empecilho de produtos, atitudes, serviços e outros.

Além dessas 4 coletam-se dados referentes à doença, como hospitalizações, medicamentos, como o sujeito se avalia, hábitos tabágicos e alcoólicos, entre outros.

Ufa! Como podemos ver a aplicação da CIF é complexa, mas bastante vantajosa. Com ela podemos traçar nossas condutas e objetivos específicos para aquele pcte, de acordo com suas necessidades. Ela não é muito adotada pelos profissionais da saúde no Brasil, devendo ser mais difundida! E aí, vamos utilizar a CIF?!

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Referências
FARIAS, N.; BUCHALLA, C. M. A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde da Organização Mundial da Saúde: Conceitos, Usos e Perspectivas. Rev Bras Epidemiol. V. 8, n. 2, p. 187-93, 2005.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Anatomia cardíaca (Parte 2)

Câmaras cardíacas


Átrios: são consideradas câmaras de armazenamento. Possuem uma estrutura, as aurículas, que formam um saco com "cristas" (músculos pectíneos), que auxiliam na contração da câmara. Entre os átrios existe o septo interatrial, com uma comunicação que se fecha ainda na fase intrauterina, formando uma fossa oval. O átrio direito (AD) recebe sangue rico em CO2 (venoso) advindo das veias cava e do seio coronário. Os orifícios nos quais as veias cava desembocam são chamados óstios. No átrio esquerdo (AE) desembocam as veias pulmonares, recebendo então sangue rico em O2 (arterial). 


Ventrículos: câmaras que bombeiam o sangue para o corpo. São divididos pelo septo interventricular, que é mais espesso do que o interatrial e impede a mistura do sangue oxigenado com desoxigenado. Possuem trabéculas cárneas que se ligam às cúspides por intermédio das cordas tendíneas, fixando as valvas atrioventriculares. As cordas tendíneas têm como função impedir que as cúspides "virem" ao avesso. O ventrículo esquerdo (VE) é 3x maior do que o ventrículo direito (VD), já que bombeia sangue para todo o corpo. Pela anatomia dos ventrículos, percebemos que o VD "envolve" o VE, adicionando força a este.






Valvas cardíacas


O coração possui um esqueleto fibroso, com um anel fibroso que insere as valvas. São constituídass por tecido conjuntivo frouxo, composto por colágeno, elastina e proteoglicanos.


Atrioventriculares: direita (tricúspide) e esquerda (bicúspide ou mitral).
Semilunares: ou arteriais, são folhetos em forma de meia lua na inserção das grandes artérias ao coração. Temos a valva pulmonar, na artéria pulmonar, e a aórtica, na artéria aorta.




quarta-feira, 20 de junho de 2012

Anatomia cardíaca

Coração
Formato de cone invertido, com ápice para baixo e para esquerda na altura da quinta costela, repousando sobre o diafragma, base na altura da segunda costela. Localizado no mediastino, sendo que 2/3 da massa cardíaca ficam à esquerda.
Ponto de impulsão sistólica: contato do VE com a caixa torácica no espaço intercostal, nó ápice do coração. A mudança desse ponto mostra que o coração "mudou" de lugar!


Pericárdio
Saco fibro-seroso que relaciona o coração com as paredes e órgãos próximos, a fim de revestir e proteger o coração, além de manter o coração no mediastino, limitar sua expansão e o atrito com as paredes. É firme e se funde com o diafragma pelos vasos da base (veias cavas e pulmonares). É constituído por 2 lâminas:
Fibroso: mais externa, resistente, composta por fibras de colágeno, inelástico. É como um saco que repousa sobre o diafragma.
Seroso (visceral e parietal): interna, membrana mais fina que forma uma dupla camada "dobrada". A camada visceral também é chamada de epicárdio. Entre as camadas existe um líquido pericárdico, que amortece as batidas do coração.

Outras camadas são: miocárdio e endocárdio.
Miocárdio: é o músculo cardíaco. A camada mais espessa do coração, composta por músculo estriado cardíaco, que permite a contração.
Endocárdio: envolve o interior das câmaras e as valvas, é resistente. Existem as trabéculas cárneas (músculos papilares, pectíneos e cristas), "espacinhos" que diluem a pressão durante a contração, prevenindo lesões de encolhimento. Estão localizadas nos ventrículos.



...continua!!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Valvopatias

FISIOPATOLOGIA
As valvopatias, ou doenças nas valvas cardíacas, formam um grupo de cardiopatias, que, em geral, permanecem um longo período sem promover manifestações clínicas, mesmo na presença de mecanismos compensatórios característicos, e por isso, devem ser controladas as dimensões e a FEVE (SANTOS e MOISÉS, 2008).
Distúrbios valvares (congênitos ou adquiridos) podem ser classificados como insuficiência ou estenose. Na insuficiência, ocorre um fluxo retrógrado de sangue,, evoluindo para uma sobrecarga volumétrica. Já na estenose, a dificuldade na passagem do sangue leva a uma sobrecarga pressórica. Independente de sua apresentação, no entanto, a via final comum das valvopatias conduz à insuficiência cardíaca (IC). No Brasil, ocorrem com maior frequência em decorrência de febre reumática (FR) na infância, que é caracterizada por um processo inflamatório não supurativo que se instala após uma infecção pelo estreptococo beta-hemolítico do grupo A de Lancefield. Dessa forma boa parcela dos pacientes com doença valvar cardíaca no país é composta por adulto jovem (TARASOUTCHI et al., 2005).

SINAIS E SINTOMAS
Com a evolução da doença, indivíduos valvopatas apresentarão os mesmos sintomas da IC (ESMUCICA, 1999) como dispneia, tosse, edema periférico e hepatomegalia (IRWIN e TECKLIN, 2003). Os sintomas e sinais clínicos presentes nas valvopatias são decorrentes da inadequação crônica do débito cardíaco, o que, com o tempo transforma a musculatura esquelética em um alvo de sofrimento pela privação de fluxo sanguíneo, gerando consequente perda de massa muscular. Congestão pulmonar crônica é outro mecanismo envolvido nesse processo, conduzindo a prejuízo na troca gasosa pulmonar e a mudanças na mecânica ventilatória (SCHOEN, 2000). Isso pode ser evidenciado pelo fato de que 40% dos pacientes que aguardam a cirurgia de troca valvar sofrem redução na massa corporal magra (FREUND, 1996).

TRATAMENTO
Medicamentoso: redutores de pós carga (antihipertensivos e diuréticos), drogas inotrópicas, cardiotônicos e digitálicos.
Cirúrgico: comissurotomia e papilarotomia, para aumentar a área em estenoses, anuloplastia e cateter balão, para diminuir a área em insuficiências. Substituição da valva por prótese metálica ou biológica.

REFERÊNCIAS
FREUND, H.A. Nutritional of heart and lung. In: FISHER, J.E. Nutrition and metabolism in the surgical patients. 2nd ed. Boston: Little, Brown and Company, 1996, p. 667-84.
Investigadores ESMUCICA. Estudio multicéntrico de cirugía cardíaca: Pacientes coronarios. Rev Argent Cardiol., v.67, p. 605-16, 1999.
IRWIN, S.; TECKLIN, J.S. Fisioterapia cardiopulmonar. Barueri: Manole, 2003. 584 p.
SANTOS, A.A.; MOISÉS, V.A. Peculiaridades fisiopatológicas das valvopatias mitrais: Implicações clínicas e terapêuticas. Rev Soc Cardiol Estado de São Paulo., v.4, p. 314-, 2008.
SCHOEN, F.J. O coração. In: COTRAN, R.S.; KUMAR, V.; COLLINS, T. Robbins: Patologia estrutural e funcional. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000, p. 486-539.
TARASOUTCHI, F.; KATZ, M.; ACCORSI, T.A.D.; GRINBERG, M. Valvopatias: atividades físicas e esporte. Rev Soc Cardiol Estado de São Paulo, v. 2, p. 152-9, 2005.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Ataxia de Friedreich

Esse post é dedicado à Adriana Riboli dona do blog Ataxia de Friedreich. Ela é minha mais nova paciente na clínica da faculdade! Super recomendo o blog dela, no qual ela posta coisas sobre seu dia a dia com a doença!


Ataxia de Friedreich

Distúrbio neurodegenerativo autossômico recessivo raro, por mutação no cromossomo 9. Os sinais clínicos aparecem antes dos 25 anos com perda dos reflexos tendíneos (principalmente em MMII), desequilíbrio, disartria, redução da propriocepção, ataxia, fraqueza dos músculos respiratórios, cardiomiopatia e em alguns casos diabetes.
Apenas um exame do DNA pode detectar a alteração no cromossomo.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Fascite plantar

1. ANATOMIA – PÉ E TORNOZELO

• Antepé: formado pelos MTs e falanges. Suporta parte do peso corporal e participa ativamente da fase de balanço da marcha.
• Mediopé: composto pelo navicular, cuboide e cuneiformes. Se for mais plana, aumenta o apoio do peso na região do antepé. Conecta-se às outras regiões do pé pelos músculos e pela fáscia plantar.
• Retropé: é composto pela articulação subtalar (tálus e calcâneo), que permite os movimentos de prono/supino e inversão/eversão. A articulação talocrural (tíbia e fíbula com tálus) forma uma dobradiça que permite os movimentos de dorsi e flexão plantar. A pronação é uma junção dos movimentos de eversão, abdução e dorsiflexão. Já o movimento de supinação é a associação da inversão, adução e flexão plantar. Na corrida, o pé prona mais do que na marcha.

Obs.: Musculatura intrínseca do pé é aquela que se origina e se insere no pé. Lumbricais, interósseos, flexores dos dedos são alguns músculos intrínsecos.



1.1 A FÁSCIA
Tecido fibroso que cria um invólucro ao redor dos músculos, responsável pela manutenção do arco medial. A fáscia plantar se origina no tubérculo medial do calcâneo e se insere nas MTF, ela sustenta e é sustentada por músculos intrínsecos e ligamentos do pé. Por isso, a pronação excessiva que leva a uma extensão dos artelhos tensiona a fáscia, causando dor.

O tendão de Aquiles se insere no calcâneo, quando está muito tenso tenciona também a fáscia. Pés planos “puxam” a fáscia naturalmente, como na marcha o arco plantar dobra puxando a fáscia, aumenta a tensão podendo rompê-la.


2. FASCITE PLANTAR
É um processo degenerativo, podendo ser chamado de fasciose plantar.

2.1 FATORES
Obesidade, redução da dorsiflexão, tipo de sapato e pisada, postura no trabalho, corrida e fatores mecânicos do pé. Tanto na posição ortostática como na marcha, a extensão dos artelhos tensiona a fáscia. O movimento repetitivo do andar e correr pode causar microtraumas na fáscia plantar.

Pé cavo possui uma inabilidade de dissipar as cargas durante a caminhada e a corrida, já o pé plano não possui o arco, tensiona a fáscia plantar. O pé cavo pode apresentar um calcâneo varo, que pode estar associado a uma rotação externa da tíbia. Um calcâneo valgo (em pés planos) pode associar-se a rotação interna da tíbia, com tendência a flexionar os joelhos e aumentar a lordose lombar.

No idoso, está associada à fraqueza dos músculos intrínsecos e aquisição do pé plano. Indivíduos com diabetes podem sofrer de FP por conta de uma neuropatia periférica, que leva a uma atrofia muscular, pé cavo e alterações funcionais do passo.

2.2 SINAIS E SINTOMAS
Dor na “sola” do pé, localizada principalmente logo após o calcâneo; dor forte na primeira “pisada” da manhã, logo ao acordar; dor agravada ao permanecer muito tempo em pé, caminhando ou correndo. Quando a fáscia encontra-se inflamada, ao ficarmos em pé ela é tracionada, causando dor. Durante o sono, a inatividade dos dorsiflexores promove um encurtamento da fáscia plantar, o primeiro apoio promove um estiramento brusco da aponeurose, causando dor. Geralmente é unilateral.

Quando a fascite se torna crônica, pode-se desenvolver osteófitos na região do calcâneo (o famoso esporão). Esses osteófitos desenvolvem-se porque a fáscia plantar tracionada “puxa” a região óssea na qual se insere, causando um depósito de cálcio na região estressada (como parte do processo de cura do desgaste). Pode ter rigidez no tendão do calcâneo e pontos dolorosos na panturrilha.

2.3 DIAGNÓSTICO
Baseado no HMAP; dor na palpação da região ântero-medial do calcâneo; dor exacerbada na dorsiflexão.

Exames complementares: US, RX para excluir fratura do calcâneo por estresse, RM.

2.4 TRATAMENTO
• Calçado apropriado, com suporte do arco e calcanhar acolchoado
• Órteses (palmilhas)
• Massagem transversal na fáscia
• Alongamento de tríceps sural
• Fortalecimento da musculatura intrínseca do pé
• Fortalecer tibial anterior ajuda na dorsi e na inversão, o que reduz a pronação
• Marcha transferindo o peso para a região lateral do pé
• Exercícios proprioceptivos

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Marcha do idoso

Esse foi um seminário que fiz no estágio de geriatria, sobre a marcha do idoso. Aqui estão alguns tópicos e explicações sobre a fisiologia da marcha dos nossos vôzinhos!

30 a 40% dos idosos com mais de 65 anos caem a cada ano.
Um fator de dificuldade da marcha é a mudança constante do centro de massa, que nunca fica mantido na base de suporte. Outro fator é que 2/3 da massa corporal estão localizados no segmento superior do corpo, necessitando de um maior gasto energético para manter o equilíbrio.

No idoso, ocorre um declínio da força muscular, do número de motoneurônios e da capacidade aeróbica. Em superfícies estáveis, jovens saudáveis mantêm a velocidade da marcha, idosos diminuem a velocidade e o comprimento do passo.

As modificações da marcha do idoso são um processo fisiológico e não patológico.

No idoso, a flexão plantar e dorsiflexão diminuem na fase de apoio (diminui a ADM); o joelho aumenta a extensão na fase de apoio médio, diminui a flexão na fase de balanço (fraqueza no quadríceps). Os idosos realizam uma maior flexão de quadril no contato inicial devido à necessidade de manter um comprimento mais favorável dos extensores de quadril para que consigam atingir sua demanda, sem interferência da diminuição da força muscular decorrente do envelhecimento. A força dos flexores plantares nos idosos é menor, causando um impulso mais lento.

Idosos passam a maior parte do ciclo da marcha na fase de apoio.

Obs.: Comprimento da passada: distância entre o calcanhar de um pé até o seguinte contato do mesmo pé.
Comprimento do passo: de um pé a outro. Idosos possuem menor.
Cadência: número de passos num período de tempo. Idosos possuem maior cadência (para aumentar a velocidade).


Treino de Marcha
Andar sobre uma linha imaginária;
Caminhar de lado e de costas;
Ultrapassar obstáculos;
Andar em curvas (desviando de cones);
Andar com bastão (auxílio do terapeuta).
-> muitos outros exercícios podem ser criados, usem a criatividade!



Agora preciso confessar uma coisa: não salvei as referências da pesquisa =S lembro que foram alguns livros e artigos, mas não lembro quais! Portanto, não usem essas informações em trabalhos, mas como aprendizado! =)